A estreia de Bolsonaro em Davos

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Mundo: O encontro de Fórum Econômico Mundial é um encontro anual de empresários e políticos poderosos, criado em 1971 para buscar soluções para um mundo melhor. No encontro, as principais atrações são as conferências, que são a parte onde os líderes mundiais fazem seus discursos.

Bolsonaro foi o primeiro presidente brasileiro, da América Latina e de um país fora do G7 (Grupo internacional composto por Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Reino Unido e Japão) a ter o discurso de estreia no Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça. Bolsonaro teria um tempo disponível de 45 minutos para proferir seu discurso, porém utilizou pouco mais de 6 minutos. Como o presidente havia dito em entrevista antes do embarque para a Suíça, seu discurso seria curto e direto.

Em seu discurso, o presidente brasileiro destacou aquilo que ele disse durante toda sua campanha eleitoral e em sua posse, seu governo seria formado por pessoas técnicas e qualificadas, sem viés ideológico, menos Estado, desburocratização, privatizações de estatais, desregulamentações, redução de impostos, reforma da previdência, reforma trabalhista, combate a corrupção e comércio com o mundo todo. Bolsonaro também chamou a atenção quando disse que o Brasil teria desenvolvimento econômico alinhado as pautas ambientais, citando que o Brasil é um dos países que mais preserva a natureza, tendo 35% do seu território sendo florestas, e que apenas 9% do território nacional é voltado para a agricultura. Um dos momentos que mais me chamou a atenção foi quando Bolsonaro disse que o Brasil ficaria no Acordo de Paris e que iria tomar medidas para a redução do CO2. Isso significa um recuo do presidente em uma de suas promessas de campanha que seria retirar o país do acordo e também em relação ao chanceler Ernesto Araújo que chamou o aquecimento global de invenção marxista.

Ficou claro que grande parte do discurso de Bolsonaro e principalmente na decisão de Bolsonaro de manter o Brasil no Acordo de Paris é uma estratégia do superministro da economia Paulo Guedes em agradar o empresariado presente no fórum. Grande parte do receio do empresariado no exterior, principalmente os empresários europeus que tem uma preocupação grande na pauta ambiental seriam contrários em investir em um país que não cumprisse com sua parte na redução da emissão de gases CO2, principalmente quando esse país detém a maior vegetação do mundo, o Brasil.

André Filipe do Prado Tenório Acadêmico do curso de Relações Internacionais – UNIVALI

Em resumo do 1º dia de Bolsonaro em Davos, o presidente deixou claro que o Brasil precisa dos empresários e de que os empresários precisam do Brasil, porém, querendo ou não, Bolsonaro em sua fala deixou a desejar. Nos seus apenas 6 minutos de discurso, mesmo sendo curto e direto Bolsonaro não deixou claro a maneira que seria realizada as reformas de seu governo e na economia.  Aplaudido pelos empresários e líderes presentes, a percepção de alguns foi de que sua fala foi superficial. Na agenda do governante brasileiro, consta diversas reuniões internas, com empresários e com representantes de outros governos. Bolsonaro sabe que ao utilizar essas reuniões em conjunto com seus ministros Paulo Guedes (Economia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Sérgio Moro (Justiça) é uma oportunidade melhor de convencê-los a investir no Brasil, pois a portas fechadas, poderá ouvir o que os empresários querem em troca.

Caso Bolsonaro consiga recuperar a confiança dos investidores no Brasil, em conjunto com sua agenda liberal na economia, há uma grande oportunidade do país ter um grande crescimento econômico devido aos investimentos estrangeiros no país. Por isso Bolsonaro foi enfático em seu discurso ao dizer que o Brasil precisa dos empresários, o presidente e sua equipe sabem que o encontro de Davos é de suma importância para o futuro do país e de seu governo.

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