Brasil: a bola da vez na publicidade digital

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O mundo da publicidade digital no Brasil deve passar por grandes mudanças nos próximos anos. Essa é uma transformação que já vinha em construção, mas que foi muito acelerada pela pandemia causada pelo novo coronavírus. A verdade é que o mercado brasileiro da publicidade digital vem se descobrindo, inovando e criando atrativos irresistíveis para as grandes e, também, pequenas marcas, com o crescimento dos marketplaces.

Eu costumo dizer que a publicidade móvel funciona muito melhor do que qualquer outro anúncio, pois tem a capacidade da segmentação, que permite às marcas atingir, de forma direcionada, milhões de pessoas em diferentes contextos, horários e formatos.  E alguns movimentos importantes já sinalizam o caminho que será tomado. 

A chegada da Amazon Ads no Brasil, por exemplo, com certeza, impacta players importantes como Google e Facebook ou qualquer outra empresa que tenha foco no desempenho de e-commerce, uma vez que a solução da Amazon, tem como abordagem principal impactar compradores diretos ou reais, fazendo uso da qualidade de dados que possuem. Esta vinda da companhia impacta, inclusive, as grandes cadeias de supermercado e magazines que, já descobriram a venda publicidade em suas páginas como forma de atrair os consumidores.

E esses movimentos de mercado trazem mudanças significativas para os grandes varejistas brasileiros que vendem publicidade em seus portais de e-commerce, e, certamente, vão gerar orçamentos importantes, já que tanto a Amazon quanto os demais players são vistos como excelentes investimentos às marcas que hoje buscam opções rentáveis e assertivas.

No caso da Amazon, a questão é que o mercado brasileiro é muito importante por duas razões fundamentais. A primeira é por causa do desenvolvimento ou do quão grande é o seu e-commerce para a Amazon. O Brasil está, hoje, entre a sexta e sétima posição como maior mercado de e-commerce do planeta e representa 50% de tudo o que acontece na América Latina. Então, obviamente, entrar no Brasil significa operar em 50% da América Latina. E o segundo ponto é que, assim como o e-commerce é muito grande, a indústria da publicidade digital segue a mesma proporção, o que corrobora com as intenções de mercado da empresa. 

E assim é para qualquer outro player. Entrar no Brasil, significa assumir que está no maior mercado da América Latina e em um dos mais importantes do planeta. E isso, lá na frente, tem muita relevância, tanto que, se observarmos bem, todas as grandes e importantes empresas do mundo da publicidade e do comércio digital que têm algum tipo de conexão com o Brasil, caminham a passos largos para sua consolidação. Dentro dessa estratégia, outros players como Alibaba, por exemplo, já tem mirado o Brasil como uma grande oportunidade e, seguramente, quando entrarem na América Latina o farão pelo Brasil. 

E esse olhar de fora, que ficou evidente com a chegada da Amazon Ads, já fez o mercado interno se articular. Os grandes marketplaces criaram áreas exclusivas para a venda de publicidade e, em muitos deles, o resultado já representa parte significativa dos faturamentos. 

Para fazer frente à Amazon, a Magazine Luiza, por exemplo, vem se cercando de ferramentas, como a recente compra do Canaltech, plataforma multimídia com foco na produção de conteúdo de tecnologia em texto, áudio e vídeo, que atinge mensalmente cerca de 24 milhões de visitantes únicos. O quanto as empresas brasileiras e estrangeiras vão evoluir no mercado brasileiro ainda é difícil prever, mas o certo é que há um universo de possibilidades ainda pouco exploradas. 

E, neste cenário, vejo que formas como o shoppable Ads, sem dúvida, ganhará ainda mais espaço na estratégia das empresas, principalmente àquelas marcas que contam com forte presença nos marketplaces. Os consumidores, cada vez mais, buscam praticidade para pesquisar e realizar suas compras e, evidentemente, uma ferramenta capaz de encurtar a jornada de compra terá forte aceitação neste processo. Assim, os concorrentes que melhor souberem articular estas ferramentos em suas estratégias sobreviverão neste mercado, que ficará ainda mais concorrido e dinâmico, a cada ano. 

Alberto Pardo é CEO e fundador da Adsmovil

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