China e Rússia, os pilares de sustentação do governo autoritário de Maduro

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Assuntos Internacionais – André Tenório

A Venezuela se tornou um tabuleiro de xadrez geopolítico, onde as potências: EUA, China e Rússia utilizam para suas jogadas. O cenário atual de aprofundamento na crise venezuelana faz com que as potências utilizem suas peças. O reconhecimento por parte de países do Ocidente (EUA, União Europeia e países do grupo de Lima) de Juan Guaidó (parlamentar do congresso) como presidente da Venezuela, ao invés do atual e recém eleito (em eleições contestadas) Nicolás Maduro, geraram um aumento nas tensões políticas e sociais no país, devido a escalada de autoritarismo por parte do líder chavista, aumentando as chances de uma possível intervenção militar por parte dos EUA e países aliados para derrubar o ditador venezuelano.

A Venezuela nos dias atuais vive um verdadeiro caos devido as políticas adotadas pelo governo Maduro. Crise de abastecimento de alimentos, medicamentos, produtos de higiene, crise elétrica, surtos de doenças como a sarna, inflação astronômica; tudo isso aliado ao aumento do autoritarismo do governo venezuelano e a repressão as manifestações e agressões aos direitos humanos que fazem da Venezuela, o palco principal da disputa geopolítica.

O isolamento atual da Venezuela na América do Sul tem motivo, países antes governados por presidentes de esquerda simpáticos ao bolivarianismo do antecessor de Maduro, Hugo Chávez, hoje são governados por presidentes de direita, Brasil e Argentina são exemplos. Com exceção da Bolívia que é governada “ainda” por Evo Morales, o último aliado de Maduro na América do Sul, porém, Evo não faz uma defesa entusiasmada do líder chavista, principalmente para não criar uma inimizade com países vizinhos como o Brasil.

Por ver seu país isolado em sua região, Maduro buscou parceiros “simpáticos” ao seu regime que não são aliados dos EUA, cujo país, Maduro acusa de estar tentando dar um golpe orquestrado com países latino-americanos de direita, para o derrubá-lo. Maduro buscou apoio de China e Rússia, dois gigantes asiáticos que querem diminuir a influência dos EUA na América Latina. O governo chavista deu 9,9% de participação da estatal venezuelana de petróleo PDVSA, para o governo chinês em troca de parcerias comerciais. Já a Rússia forneceu aviões bombardeiros e tropas para a Venezuela, além da instalação de uma base militar para os protegerem de uma possível invasão militar americana.

A elevação das tensões na Venezuela levou os países do Conselho de Segurança da ONU a uma reunião de emergência. China e Rússia criticaram uma possível “ingerência estrangeira na região”. Além de seus posicionamentos contra as sanções econômicas aplicadas pelos EUA sobre a estatal petrolífera PDVSA.  Já os EUA e seus aliados criticaram o posicionamento do presidente Maduro, o acusando-o  de violações aos direitos humanos, pedindo sua renúncia.

No momento, há 3 possíveis saídas para a crise na Venezuela. A primeira, e mais provável, pedida por países neutros como o Uruguai, seriam novas eleições, para assim, “apaziguar” a situação. A segunda seria a renúncia de Maduro, então Juan Guaidó, assumiria a presidência da Venezuela, agradando assim os países do Ocidente. A terceira, e mais radical, seria uma possível intervenção militar coordenada por EUA e Colômbia, com apoio de países europeus na Venezuela, retirando assim Maduro a força da presidência. Essa sendo a opção menos provável, comandada pelas das forças armadas tanto de Colômbia quanto do Brasil, um possível aliado nessa “empreitada”.  A terceira alternativa não pode ser descartada por completo. Um dos motivos que dificultam  a ação dos EUA e seus aliados de uma intervenção na Venezuela é o apoio da Rússia e China a Maduro, onde uma possível intervenção militar pode tomar proporções catastróficas, visto que as principais potências mundiais estariam envolvidas.

Enquanto aguardamos o desfecho dessa crise em nosso vizinho, independente de qual das alternativas vierem a se tornar realidade, uma coisa é certa, podem abrir contagem regressiva, Maduro ou renunciará, ou será renunciado.

André Filipe do Prado Tenório

Acadêmico do curso de Relações Internacionais – UNIVALI

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