Coluna – Horizon no PC:será o fim dos exclusivos?

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Esta semana, a Guerrilla Games confirmou um boato que já rondava pelas redes sociais nas últimas semanas: Horizon Zero Dawn, um dos games exclusivos para PlayStation 4 mais celebrados, será lançado para PC no terceiro trimestre deste ano. Curiosamente, o anúncio veio durante uma entrevista com o chefe da SIE Worldwide Studios (grupo que reúne as desenvolvedoras possuídas pela Sony) no blog oficial do PlayStation. Hermen Hulst, que comandou a Guerrilla Games por quase duas décadas, disse que novas informações devem ser divulgadas em breve pelo estúdio.

Depois que os consoles se tornaram cada vez mais parecidos com os computadores, os ports de games para PC (uma tarefa antigamente considerada árdua pelos desenvolvedores de jogos eletrônicos) e os lançamentos simultâneos para Windows têm se tornado comuns. Em uma mídia em que os exclusivos são muitas vezes vistos como os principais trunfos frente à concorrência, fatos como esse eram impensáveis até pouco tempo atrás.

É verdade que “ex-exclusivos” sempre existiram, vide os incontáveis ports de Resident Evil 4 que surgiu em 2005 apenas para o GameCube. Porém, podemos dizer que é muito recente a prática das próprias desenvolvedoras subsidiárias das fabricantes de consoles – as ditas “first-parties” – produzirem jogos para aparelhos da concorrência. O fato mais antigo que consigo lembrar são os games da Rare para o Game Boy Advance no início do século, quando a empresa já havia sido comprada pela Microsoft.

Outros títulos exclusivos do PlayStation 3 e 4 que ganharam versões para PC nos últimos tempos são Heavy Rain e Beyond Two Souls, do estúdio independente Quantic Dream, mas que foram distribuídos pela Sony no PS3 e PS4. Vale citar ainda Death Stranding, lançamento recente da Kojima Productions que contou com um forte apoio financeiro por parte da Sony. Em junho, o game chega para o Windows.

Para a Microsoft, que surgiu como uma desenvolvedora de sistema operacional para PC e, inclusive, publicou seus primeiros games nesta plataforma, a simbiose com os computadores surgiu como um passo natural. O sucesso do Xbox 360 pode ter incentivado a empresa a deixar de lado essa estratégia na geração passada. Mas, praticamente todos os jogos publicados pela empresa americana no Xbox One também foram lançados simultaneamente no PC – incluem-se aí jogos símbolos da marca Xbox como Forza e Halo. Não bastasse isso, a Microsoft ainda portou alguns sucessos de vendas para o Nintendo Switch, como Ori and the Blind Forest e Cuphead. Também não podemos ignorar quando a Microsoft “cedeu” a tão requisitada dupla Banjo-Kazooie ao panteão de lutadores do game Super Smash Bros Ultimate, da Nintendo.

A desenvolvedora japonesa, sempre muito conservadora com suas propriedades intelectuais, surpreendeu ao criar jogos exclusivos para smartphones nos últimos anos, como Super Mario Run e Pokémon Go. Além disso, a Nintendo ainda portou alguns dos títulos mais vendidos do Wii para o console Android Nvidia Shield TV, embora a oferta esteja restrita ao mercado chinês.

Até o fim da vida útil do PlayStation 2, a Sony não tinha uma estratégia clara com jogos exclusivos. Isso mudou com o bem-sucedido lançamento do primeiro God of War (2005). Hoje, preciosidades como Shadow of the Colossus, Marvel´s Spider-Man e o novo God of War (2018) são tratados como estrelas nas campanhas de marketing da fabricante.

Alguns destes títulos já podem ser aproveitados no PC: é o caso do PlayStation Now, serviço de streaming por enquanto indisponível no Brasil. Mas não espere que a Sony vá seguir a concorrente Microsoft e lançar games de PS4 ou PS5 simultaneamente no PC. Ainda na entrevista publicada no PlayStation.blog, Hulst ressaltou que “lançar um jogo AAA de uma desenvolvedora de exclusivos PlayStation para PC não significa necessariamente que todos os exclusivos serão lançados para PC. Não temos planos e continuaremos 100% empenhados em hardware dedicado.”

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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