COM QUE ROUPA DEVO IR… NÃO QUERO SER SEX SYMBOL, RESSALTOU

“O que ocorreu foi um ato de machismo: ‘tu és mulher, então aprende a te comportar, porque não pode andar vestida dessa maneira’. Passar por situação de rotulação por conta de um decote ou tamanho da saia é muito ridículo, estamos em 2019”.

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Por Beloni Silva

Dias atrás precisamente na Posse da Deputada eleita Paulinha, ex Prefeita de Bombinhas, usou uma roupa em que apareceu a parte interna dos seios que ficou exposta, roupa na cor vermelha em um corte muito bem traçado, além da roupa a mesma usava um batom vermelho lindo e hilariante, para muitos a mesma estaria usando uma roupa inadequada para a ocasião, para outros encararam como normal pois era uma posse mas também uma comemoração, porém o que nos espantou foram os insultos contra a mesma, que ela mesmo falou que tiveram que ser apagados pelo tamanho da ofensa desferida, eu particularmente me senti atacada também, Cada vez que uma mulher é ofendida ou agredida acaba nos atacando também, o que deu para perceber que somos claramente um Estado e País misógino, se a roupa era adequada ou não para ocasião não importa, olhem a força e a coragem desta mulher, olha a currículo dela, será que se nos colocássemos no lugar dela conseguiríamos chegar tão longe como ela chegou e irá chegar?

Vivemos em um tempo de dedos apontados e poucas mãos estendidas, falta de tolerância, respeito e muito mais, se surgem algum assunto que já vão lá pegando suas pedras para atirar, e eu pergunto e se fosse com você? a maldade paira na cabeça das pessoas, penso que Paulinha não pensou na repercussão que iria dar, pois quem sabe em sua cabeça não pensou na maldade, porém os que queriam julgar já estavam ali aguardando para soltar o seu veneno, em nenhum momento as pessoas pensaram no sentimento, no vexame após comentários , “dale” ataques ofensivos e o mais intrigante Mulheres a atacando muito mais do que Homens? fico a pensar “somos nós que educamos os homens e somos nós as Machistas” ? para onde estamos caminhando em um país que mulheres são matadas todos os dias de forma bruta e impensável, que sofremos todo tipo de violência, que ao se relacionar não pode dizer “NÃO”, que alguns términos de relacionamento é como se fosse para assinar a Certidão de Óbito, pois é mas a de se admitir somos intolerantes e não perdoamos nada.

Agora se falando em política o espaço das mulheres é limitado e é compreensível pois somos vistas como pequenas, sem opinião, submissa em casa e na sociedade, é preciso libertação, é preciso quebrar protocolos sim, a igualdade tem que permear os relacionamentos entre homem e mulher é preciso apoiar as mulheres em suas ações políticas, Paulinha nos representa, Paulinha e outras Mulheres na política travam discussões longas para nos defender tenha certeza disso, não é aconselhável ofendê-las é necessário darmos suporte para que a mesma fique forte com nossas energia positiva, Paulinha foi a quinta mais votada em SC,ao todo foram só 9 mulheres entre Deputadas, Senadoras e Vice Governadora, entre estas ainda 2 são suplentes, enquanto que os Homens elegeram 35 Deputados homens, 4 Senadores Homens e o Governador Moisés, então eu pergunto ao invés de criticar a roupa de Paulinha, Decote etc deveríamos estar apoiando, olha quanta discrepância entre os Homens e Mulheres nas eleições, isso é só a ponta do iceberg temos muitas outras lutas, por isso se não se atenhamos a este contexto retrógrado e contundente em avaliar e julgar uma pessoa pela vestimenta e sim pelo avanço de conquistas e principalmente das lutas traçadas a nosso favor ou seja no campo feminino.

Algumas frases de Paulinha sobre a repercussão do Decote

“Reforçamos que este tipo de visão não cabe mais em uma sociedade diversa, onde todo cidadão tem o direito de se expressar. E que o ataque a qualquer parlamentar é também um ataque ao Parlamento e, por consequência, à democracia”, disse a nota.

“Fui prefeita por dois mandatos e sempre me vesti desse jeito. Algum tempo atrás quando eu consegui passar por cima de uma série de preconceitos que muitas vezes a mulher se auto impõe por conta do que a sociedade espera e deseja de nós, eu decidi que não ia mais me sujeitar e deixar de me comportar e me vestir como desejasse”, afirma a deputada em entrevista ao Catarinas.

Não quero ser sex symbol, tem dias que saio com calça, camiseta e sem batom, mas tem dias que quero sair mais deslumbrante, mais arrumada. É meu direito e tem que ser assegurado a todas as mulheres”, ressaltou.

Não me afeto com diferença de opinião, quando a gente se coloca na vida pública está sujeito ao julgamento. Pode até achar que minha roupa está imprópria, que não gostou, mas aí a chegar ao nível da agressão, de dizer que eu merecia ser estuprada, que se eu fosse estuprada não deveria abrir a boca para reclamar”, relata perplexa.

O que ocorreu foi um ato de machismo: ‘tu és mulher, então aprende a te comportar, porque não pode andar vestida dessa maneira’. Passar por situação de rotulação por conta de um decote ou tamanho da saia é muito ridículo, estamos em 2019”.

O estado não se apropriou dessa grande vitória, porque eu sou mulher. Tudo isso que a gente edificou foi comigo assim, vestindo roupas curtas e decotadas às vezes”.

De acordo com sua experiência, mulheres que convivem em ambientes muito masculinos em algum momento se “violentaram em frente ao espelho”, ao abrir mão da roupa que queriam vestir por receio de parecerem indecentes. “A mulher já se coloca nesse processo de autorregulação, isso não é saudável. Pra me empoderar e defender pautas importantes para a vida das pessoas eu precisei passar primeiro por esse convencimento”.

Crime é crime, as pessoas não podem agredir as outras por conta de suas escolhas pessoais, orientação sexual ou religião. Essas atitudes criminosas têm que ser punidas, não vou abrir mão de representar e judicializar tudo que foi ofensivo”, afirma.

Vivemos uma onda de conservadorismo que tem patrocinado essa violência nas redes. Quando a violência acontece precisa ser rompida e a gente tem que dar uma resposta à altura. Como catarinense penso sobre o quanto a gente precisa vencer desafios para construir essa equidade de gênero”.

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