Entrevista: “O diálogo vai ser uma marca da minha gestão”, anuncia Ricardo Roesler

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Informação, integração e inovação. Esses são os três eixos fundamentais adotados para orientar a gestão do novo presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Ricardo Roesler, no biênio 2020/2022. Eleito com 47 votos em sessão do Pleno do TJ nesta quarta-feira (4/12), Roesler será empossado no próximo dia 31 de janeiro. Com a caneta de presidente em mãos, ele irá propor o diálogo como princípio básico no enfrentamento dos desafios à frente do Judiciário.

“Uma das marcas que eu gostaria de deixar, além dos três eixos fundamentais da administração, é o diálogo. Uma administração de muito diálogo, com todos os setores. Não tomarei nenhuma decisão sem ter, antes, dialogado muito com os interlocutores, requerentes, peticionantes. O diálogo vai ser uma marca da minha gestão”, anuncia Roesler.

O cronograma para as semanas que antecedem a posse já foi definido com o atual presidente do TJSC, desembargador Rodrigo Collaço. Um gabinete de transição será formado por servidores a serem indicados. Com o apoio do desembargador João Henrique Blasi, eleito 1º vice-presidente, Roesler pretende articular diariamente os detalhes necessários à transição.

Antes de ser escolhido para a principal posição do Judiciário catarinense, o presidente eleito atuou nas comarcas de Joinville, Barra Velha, Sombrio e Jaraguá do Sul, numa trajetória iniciada em 1987. Em 2007, foi promovido ao cargo de juiz de direito de 2º grau. Assumiu como desembargador em 2012. Roesler também foi eleito presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) em dezembro de 2017 e assumiu o cargo em março de 2018. Com a experiência de quem comandou a última eleição geral, ele promete trazer as iniciativas bem-sucedidas da Justiça Eleitoral para a Corte catarinense. Por último, Roesler integrava a 3ª Câmara de Direito Público do TJSC.

Leia a entrevista:

Como o senhor avalia a sua participação e a realização do processo eleitoral no TJSC?

Participei de muitas eleições no movimento associativista, tanto estadual quanto nacional, na AMC e AMB. Participei de algumas na condição de eleitor, aqui no Tribunal, e na última de que participei foi na condição de candidato ao TRE/SC. Depois, candidato à presidência do TRE/SC. É uma experiência única e muito gratificante. Aqui, então, foi deveras importante do ponto de vista da experiência. Porque nos traz um conhecimento e um lado do Tribunal que você não conhece no dia a dia. Isto enriquece, você vê valorosos colegas, operosos colegas, passa a ter ciência do trabalho desenvolvido por cada um. Você valoriza mais o Tribunal. Nada obstante o resultado, é sempre gratificante participar de uma eleição como essa. Tenho dito que admiro nos homens, sobretudo nos magistrados, a coragem de enfrentar situações. Admiro os colegas que saem da zona de conforto e se expõem até publicamente, visando um cargo na administração. Aqui no TJSC não há muita vantagem nos cargos, na verdade há um ônus, uma tarefa hercúlea, de muita responsabilidade. Por isso, valorizo e tenho parabenizado todos aqueles que participaram do processo eleitoral. Em resumo, é muito excitante e gratificante.

Que prioridades e metas o senhor tem para trabalhar no próximo biênio?

Colocamos nossos nomes à disposição com o pensamento único de oferecer aos colegas desembargadores, juízes, servidores, auxiliares de Justiça, advogados, todos os usuários do sistema de Justiça catarinense e cidadãos a possibilidade da continuidade de uma gestão moderna. Uma gestão que vem atravessando fases e desafios com muita dedicação e coragem. Me refiro à administração do desembargador Rodrigo Collaço. Então, a continuidade desta gestão moderna, inflexível com os princípios que regem a magistratura e norteiam a administração pública em geral, sobretudo a gestão pública. Mas, sobretudo, pragmática, dinâmica e proficiente. Quando digo “nós” é no sentido da equipe. Embora não exista chapa registrada, temos nomes que nos apoiam e nomes que figuram entre aqueles administradores. Me refiro ao desembargador João Henrique Blasi e à desembargadora Soraya Nunes Lins, ao desembargador Volnei Tomazini, ao desembargador Paulo Bruschi, que participou desse processo. Ao desembargador Salim Schead dos Santos, que foi eleito, um ser admirável e profissional, com uma história dedicada à magistratura e muito respeitada. E ao desembargador Dinart Machado. Então, eu falo em “nós” porque temos essa responsabilidade e esse desejo.

Seu plano de gestão propõe três eixos fundamentais. Como o senhor pretende colocá-los em prática?

Centrei, desde o início, o plano de gestão em três eixos. Informação, muita informação, com transparência. Integração, que resulta no contexto para integrar servidores, auxiliares de Justiça, magistrados de 1º e 2º grau, advogados e todos os usuários do sistema. Muita integração entre todos os outros poderes e demais órgãos. E inovação. Não só na área tecnológica, mas também aqui dentro, no sistema interno de administração. Sempre foi minha intenção, e assim o fiz no TRE/SC, estabelecer um projeto de gestão por competência. Visando, sobretudo, o beneficiário maior, o servidor. Para aproveitá-lo melhor, para que ele tenha uma saúde melhor, um rendimento melhor no trabalho. Na área tecnológica, como não poderia deixar de ser, estamos nesta fase de discussão a respeito do eproc. Estamos numa meta, em um exercício de resistência, porque entendemos, e toda a sociedade catarinense assim está entendendo, que o eproc é o melhor sistema. Nesse setor de inovação, pretendo construir instrumentos e ferramentas de inteligência artificial que modelem o sistema eproc e que melhorem a eficiência, celeridade e qualidade das decisões, tanto no 1º como no 2º grau. É um modelo de vanguarda, que alguns tribunais já têm, mas aquilo que é bom nós temos de copiar, trazer para cá. Pretendo, na medida do possível, criar o laboratório de pesquisas aqui dentro, nessa área de tecnologia da informação, por meio de convênios com as instituições do Estado que podem nos oferecer o melhor caminho.

O senhor teve uma experiência de gestão muito bem-sucedida em um período desafiador à frente do TRE/SC. É possível trazer experiências daquela gestão para o TJSC?

São tribunais com características completamente diferentes. O TRE/SC é um tribunal menor, mas não por isso de menor importância, muito pelo contrário. É um Tribunal de vanguarda e exemplo. Tanto que obteve o Selo Ouro do CNJ. Estávamos com o Selo Bronze e conseguimos o Selo Ouro em termos de gestão. Tive uma experiência enriquecedora lá e trarei, sim, muitos dos exemplos das ações que tive. Claro que, aqui, tudo é superlativo. Comparado ao setor privado, é como se nossa equipe administrasse a maior empresa de Santa Catarina. Somos em torno de 12 ou 13 mil servidores, entre efetivos e terceirizados. Temos 111 comarcas, somos mais de 500 magistrados, entre juízes e desembargadores. Temos desafios enormes. São 4 milhões de processos em tramitação, um orçamento enxuto – inclusive querem diminuir o duodécimo. É um obstáculo que vamos ter pela frente. Mal comparando, é a maior empresa do Estado. Só perdemos em número de funcionários para a Secretaria da Educação. É um modelo diferente do TRE/SC, mas trarei experiências inéditas, diferentes e muito boas que tive por lá. 

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