EXCLUSIVO: SUSPEITA DE “MÁFIA” OPERANDO LEILÕES DE IMÓVEIS NA REGIÃO DE AGROLÂNDIA – RIO DO SUL

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Após a Folha do Estado ter trazido a tona a matéria do último dia 14/04, várias denúncias aportaram nossa redação.

O “modus operandi” foi muito parecido tanto no caso em que envolveu uma área de terra em Agrolândia e em outro município da região, cuja matéria a traremos em breve.

Uma das mais intrigantes tem contornos muito semelhantes ao ocorrido com um loteamento localizado na região conhecida como Barra do Tigre, na cidade de Agrolândia, possuindo mais de 214.000 metros quadrados e com valor estimado de mercado de cerca de 2,7 milhões de reais, teria sido levado a leilão por um valor estimado em cerca de 460  mil reais e, curiosamente, dias após o arremate, a empresa estaria vendendo a mesma área por um valor inferior ao valor pago no leilão.

Não bastasse isso, o proprietário original do imóvel teria uma dívida com o Banco Bradesco de cerca de R$ 110 mil e o leilão teria sido fechado por um valor de cerca de R$ 460 mil, e os R$ 350 mil da diferença “tomaram Doril, ou seja sumiram, evaporaram, foram parar em Marte ou simplesmente escafedeu-se”, segundo mencionou um causídico ouvido pela Folha do Estado sobre o assunto.

O “modus operandi” foi muito parecido tanto no caso em que envolveu uma área de terra em Agrolândia e em outro município da região, cuja matéria a traremos em breve. Em ambos os casos, os proprietários dos imóveis relataram uma “dificuldade enorme” em tratar com o banco para resolver os problemas envolvendo o financiamento.

Em ambos os casos, os proprietários ficaram impotentes diante da “voracidade” para levar os imóveis a leilão. A única diferença é que, no caso mais recente que recebemos a denúncia, o proprietário conseguiu evitar o segundo leilão na justiça. Mas, mesmo assim, cerca de um ano após isso, o banco ainda não teria demonstrado “interesse” em tratar da quitação da dívida do proprietário.

Analisando os dois casos a pedido da Folha do Estado, um causídico convidado para analisar a situação, disse que, “sim, é possível que exista algum tipo de arranjo ou conluio para, não somente se apropriar dos imóveis, como também, ficar com a diferença entre a dívida e o leilão. Isso não é uma certeza, mas é uma suspeita que faz sentido. Inclusive, não estranharia se o suposto esquema contasse com a colaboração ativa ou passiva de algum funcionário dos bancos envolvidos nos leilões”, afirmou o causídico.

De qualquer forma, a pergunta mais proeminente em relação ao leilão de Agrolândia, é o por que de o banco não aceitar sequer que os moradores da área que seria leiloada quitassem a dívida e evitassem o leilão, pois em resumo, a instituição financeira quer receber a dívida, e isso não foi facilitado em momento algum, ao contrário, teria sido dificultado enormemente pelos representantes da instituição bancária envolvida.

A informação de que, caso isso acontecesse seria “quebra de sigilo bancário”, como informado a Folha do Estado por um funcionário do Banco Bradesco, é, no mínimo, uma ignomínia, uma afronta aos cérebros de todos nós. A mesma coisa com a fala dele de que, “o débito de um titular só pode ser quitado por ele mesmo”.

Uma coisa é certa, no caso recente que chegou ao nosso conhecimento, o proprietário de um imóvel solicitou um empréstimo de cerca de R$ 20 mil, dando em garantia um terreno. Quando a faltavam cerca de R$ 5 mil para quitar a dívida, o proprietário teve problemas para pagar e seu imóvel rapidamente teria sido colocado para leilão, mas seu valor já estava na casa dos R$ 300 mil, valor este do primeiro leilão, para o qual ninguém apareceu.

O curioso é que, o proprietário procurou o banco para negociar a dívida de R$ 5 mil e foi informado que ela estava em R$ 16 mil. Ele conseguiu o valor e levou no banco em espécie. Mas, curiosamente ninguém se habilitou a receber o valor, ninguém quis receber o valor para quitar a dívida e nem encaminharam ele para falar sequer com o jurídico da banco para resolver e, ele somente conseguiu evitar o segundo leilão após depositar em juízo um valor de cerca de R$ 30 mil.

Claro que, se o primeiro leilão tivesse sido arrematado pelo valor proposto, R$ 300 mil, tudo indica que a diferença entre a dívida que era de R$ 5 mil e do leilão, R$ 300 mil, poderia muito bem ter o mesmo destino que ocorreu no caso do Sr. Juliano Ramos, em Agrolândia.

Como que uma instituição financeira não aceita receber em espécie o valor de uma dívida? Será que é para, propositalmente, deixar o imóvel ir a leilão? Será que a burocracia é tão grande ou são tão incompetentes ou existe alguma outra coisa que justifique isso?

De qualquer forma, funcionários do banco ligarem insistentemente para o escritório da empresa que arrematou o leilão em Agrolândia, pode não ser “mera coincidência”.

Claro que um suposto esquema de leilões de imóveis não poderia acontecer sem a colaboração de “peixe grande”.

Estamos de olho e vamos tentar elucidar o que acontece no eixo Agrolândia – Rio do Sul.

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