Itajaí registra menor taxa de casos de AIDS da década

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Município saltou 51 posições no ranking das cidades com mais casos no país

Itajaí registrou a menor taxa de detecção de casos de HIV/AIDS da década. O resultado, divulgado no Boletim Epidemiológico 2019 do Ministério da Saúde, é reflexo do intenso trabalho de prevenção e tratamento de pacientes realizado pela rede de saúde da cidade. Itajaí caiu 51 posições no ranking dos 100 municípios do país com mais de 100.000 habitantes e reduziu em 12% a taxa de detecção de casos em relação ao ano anterior.

Conforme o boletim epidemiológico, atualmente a cidade ocupa a 57ª posição na lista, com uma taxa de detecção de casos de AIDS de 55,8. No levantamento anterior, essa taxa era 63,6 e o município ocupava a 6ª posição do ranking. Essa é a primeira vez nos últimos dez anos que Itajaí consegue se distanciar dos 50 municípios do país com as maiores taxas de detecção de AIDS – nos últimos anos, a cidade vinha figurando entre as primeiras colocações.

“Esse é um dos melhores resultados que Itajaí já obteve no combate à AIDS desde a epidemia da doença nos anos 1980. O trabalho intenso do município demonstra que estamos conseguindo tratar adequadamente os pacientes com o vírus, reduzindo a carga viral e consequentemente a mortalidade”, destaca a enfermeira da Gerência de Vigilância em Saúde, Jacqueline Koch.

Os dados de mortalidade por AIDS também reduziram, segundo o boletim do Ministério da Saúde. A taxa de mortes na cidade passou de 23,3 para 19,5 por 100 mil habitantes neste ano. Outro dado positivo foi a diminuição do número de casos detectados, que foi de 105 em 2018 para 53 em 2019.

Outro dado positivo é que nos últimos dois anos Itajaí não teve registros de casos de transmissão vertical (da mãe para o bebê) de AIDS. Em função disso, o município é um dos únicos do Estado a solicitar ao Ministério da Saúde a certificação da eliminação da transmissão vertical da AIDS. O último caso registrado em crianças foi em 2017 da rede privada.

Ações preventivas

A melhora nos dados é fruto das ações coordenadas pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, que tem intensificado o combate ao HIV/AIDS. Entre as medidas realizadas está a oferta massiva de testes rápidos para diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis nas unidades de saúde do município. Em 2017, a equipe aumentou em quase 190% a realização: foram feitos 26.830 testes rápidos contra 9.263 realizados em 2016.

No ano passado os números bateram recorde novamente. Foram realizados 57.421 testes rápidos de HIV/AIDS, Sífilis e Hepatites. Neste ano, até outubro, o município já fez 55.318 testagens. Além disso, a Vigilância Epidemiológica ampliou a distribuição de preservativos femininos e masculinos e géis lubrificantes. De janeiro de 2017 a outubro de 2019 foram entregues mais de um milhão de insumos de prevenção.

“O diagnostico precoce do HIV, através do teste rápido, faz com que o tratamento seja oportuno, evitando a evolução para a AIDS e outras comorbidades que podem levar o paciente à morte”, ressalta a enfermeira Jacqueline.

A equipe da Vigilância realiza ainda rodas de conversa e palestras de conscientização em empresas, escolas, órgãos públicos e entidades, promove capacitações para profissionais de saúde e orienta os profissionais do sexo sobre a doença. Itajaí também faz parte da Cooperação Interfederativa dos municípios prioritários de combate à AIDS, além de ter assinado a Declaração de Paris, se comprometendo a acelerar os esforços pelo fim da epidemia da doença.

Assistência ao paciente

As pessoas diagnosticadas com HIV/AIDS em Itajaí são encaminhadas para o Centro de Referência de Doenças Infecciosas (Ceredi). Os pacientes contam com atendimento de profissionais especialistas, como infectologista, pediatra, ginecologista, pneumologista, fisioterapeuta, entre outros. Além disso, o Ceredi distribui medicamentos antirretrovirais e oferece todo suporte psicológico. Atualmente, 2,6 mil pessoas soropositivas realizam tratamento mensalmente na unidade.

Outro serviço que passou a ser oferecido neste ano pelo Ceredi foi a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). O método consiste no uso de uma pílula diária que impede o vírus causador da AIDS de infectar o organismo. Itajaí é uma das 14 cidades de Santa Catarina a oferecer a PrEP. Atualmente, 68 pessoas de grupos suscetíveis (gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, trabalhadores(as) do sexo e casais sorodiferentes) fazem o uso da medicação.

Histórico de Itajaí no ranking do HIV/AIDS:

2019 – 57ª
2018 – 6ª
2017 – 5ª
2016 – 4ª
2015 – 2ª
2014 – 19ª
2013 – 3ª da região Sul
2012 – 3ª da região Sul
2011 – 14ª
2010 – 7ª
2009 – 2ª 

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