O ESPERADO ENCONTRO BOLSO TRUMP

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Não adianta a mídia colocar nas manchetes que o encontro foi negativo, ou que o Brasil cedeu mais do que ganhou. Na política externa, os resultados de um encontro são sentidos só no futuro.

O esperado encontro entre Jair Bolsonaro e Donald Trump enfim aconteceu. Além da troca de elogios, ambos os presidentes anunciaram medidas econômicas importantes que poderão acontecer no futuro, além de parcerias na área militar.

Na parte econômica, Bolsonaro anunciou que o Brasil reduzirá tarifas para importação de produtos americanos, uma medida vista com bons olhos pelo mandatário americano. Além disso, foi anunciado que o Brasil importará trigo dos EUA sem tarifa, enquanto os EUA enviará técnicos para analisar a carne brasileira para importá-la. Caso esse acordo venha a se concretizar, isso afetará o comércio brasileiro com a Argentina. O Brasil é o maior importador de trigo argentino, resta saber se nosso vizinho retaliará ou aceitará essa grande perda comercial.

Ainda na questão econômica, Trump anunciou que apoiará o Brasil para entrar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Em troca, o Brasil abriria mão da sua posição privilegiada na OMC (Organização Mundial do Comércio). Resta saber se haverá uma reticência dos industriais americanos para a entrada do Brasil na OCDE visto que setores econômicos tanto do Brasil quanto dos EUA que competem entre si, além disso, se o Brasil entrar na OCDE, é necessária uma reforma tributária com redução dos juros, que hoje sufocam o empresariado brasileiro, que não terá condições de competir com os demais países com essa taxa tão alta. Outro ponto importante é o Brasil deixar sua posição privilegiada na OMC, faz com que o país tenha menos tempo a de adaptar a mudanças impostas por essa mesma organização.

Trump no encontro também anunciou que apoiaria o Brasil para ser um aliado da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Isso seria benéfico para o Brasil pois assim o país teria acesso à tecnologia e armamentos da organização de cooperação militar. Só que para o Brasil ser um aliado da OTAN é necessário a aprovação dos 29 países membros.

A única parceria anunciada de concreto entre os países foi o aluguel da base de Alcântara, para os EUA lançarem foguetes e satélites. Com o aluguel, o país teria uma receita de R$ 12 bilhões de reais por ano, além disso, o Brasil seria beneficiado pois teria acesso à tecnologia americana para ajudar a desenvolver seu próprio programa espacial.

Outros temas que foram discutidos como a crise na Venezuela e a influência da China na América Latina ambos os presidentes não deram detalhes sobre o que foi conversado. Por mais que o presidente Bolsonaro já tenha admitido que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e que não mudará sua relação com o gigante asiático, é notório que os EUA têm um grande interesse em diminuir essa relação entre Brasil e China.

O encontro entre os presidentes Bolsonaro e Trump além de ser simbólico, mostra uma mudança na política externa brasileira de uma aproximação muito grande com os EUA.

E Trump em seu discurso reconhecendo o Brasil como uma grande democracia do Hemisfério Ocidental, também mostra que os EUA estão enxergando o Brasil com outros olhos. E como eu disse no início, só o tempo dirá se esse alinhamento será benéfico ou não para o Brasil, pois do outro lado do mundo, há um gigante que acompanhou esse encontro com muita atenção. É nada mais nada menos que nosso maior parceiro comercial, a China.

André Tenório – Estudante de Relações Internacionais da UNIVALI – https://www.univali.br/graduacao/relacoes-internacionais/Paginas/default.aspx

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