O voo na eternidade, muitos passarão

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Artigo:

Por Otávio Closs

Há muito tempo não via o bem-te-vi, pássaro que acompanhou minha infância. Seu canto me encanta a recordar a simplicidade onde trabalho e amor tinha prioridade o amor.
As coisas estão mudando, será? O que aconteceu conosco? A pandemia nos separa ou une?
Algumas mentes “travam” outras produzem em coletividade onde bem comum e humanitário se sobrepõe a qualquer diferença? Uns aconselham docemente “fique em casa” outros, “vem pra rua a economia não pode parar”! Omissos ou emissores da calamidade onde minimizam impacto social. Haverá mortes? Os índices são acusatórios a morosidade de governos, também. Infelizmente, existem os que choram pelos corpos e separação de seus amados e outros pela perda de fortunas, como prioridade.

Caminho

O sol continua a brilhar e fazer sua parte. A manhã está maravilhosa o pássaro canta em sintonia com brisa. Enche-nos com plenitude pulmões e espirito a nos levar a reflexão. Quem somos, o que estamos fazendo aqui, deve ter outra vida? As máquinas já não são alimentadas, diminuiu consumo. Este laboratório perfeito, nosso corpo, necessita de amparo e manutenção, renovação e reciclagem? Nunca mais seremos os mesmos, muitos não estarão aqui. A lagrima em pranto a justificar saudade dos incrédulos que minimizaram irresponsavelmente a pandemia.

Dispersos

Continuamos permissivos ou invasivos em fome de conquistas materiais e abandono da real venalidade de existência? Viver e amar, construir para todos com justiça social e dignidade deveriam ser “bandeiras civilizatórias”. O que deveria unir, separa? Mesmos os mais “esclarecidos e capacitados” morrem. As covas ralas se espalham sem controle e não estamos entendendo o caos. Vamos produzir, produzir. “Shopping center” reabrem com eventos cinematográficos, música ao vivo, aplausos e filmagens que documentam finalidade de genocídio? As “passeatas e manifestações” são reprimidas pela lei para que parte de população não vá apoiar, mesmo que indiretamente, a pandemia. O que está acontecendo com nossas mentes?

Tesouros

Os “abastados” do poder isolam-se confortavelmente em seus bilionários iates a viajarem mundo em águas tão límpidas conforme entendimento de população que destrói planeta. O serviçal esmera-se para com suor e lágrimas trazer o pão de cada dia a sua família. As passeatas, quando permitidas, são em luxuosos carros, fechados e os ocupantes com máscaras e álcool gel? Os detritos escorrem com cheiro contaminado e fétido nas “ruelas” das favelas em grandes e pequenos centros de conviver? O pais não pode parar, dizem, produza, produza. Os privilégios continua em farra como a época de Roma, “sábios e profetas” “plebe e escravos”?

Liberdade

Os pássaros em seu maravilhoso voo de liberdade nos ensinam a amar. Prendemo-los em gaiolas apertadas a comercializar sua beleza e canto em comercio clandestino e assassino a satisfazer ego de alguns. Os cárceres estão cheios, contaminados pelo ódio e menosprezo onde não se admite meritocracia. Diminuiu o consumo de ilícitos, os helicópteros deixam de serem notícias em jornal. Os voos são seletos e direcionados enquanto usurpam de dignidade dos excluídos.

País

Este não é o meu país, não deveria ser. Ouço aqueles, alguns, que em juramento decidiram salvar vidas, discriminarem em separatismo quem vive ou nos deixará, esquerdas ou direitas? Isso é de uma insanidade e desproporção que só se encontra em animalidade de guerras e extermínio onde a racionalidade se deixou dominar, vigora a animalidade extrema. Inaceitável.

Um outro mundo possível

O bem-te-vi me consola a acreditar ser um “outro mundo possível”, lágrimas que me chegam a rosto servem de incentivo para dizer-lhes com todas as forças: não passarão!
O voo, em algum momento seguirá, seremos uno em busca pratica de igualdade, humanidade, fraternidade. Vencerá o amor!

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