POLÍCIA FEDERAL E ANAC INVESTIGAM IRREGULARIDADES EM EMPRESA DE JOINVILLE

A Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou a Operação Dédalo, que investiga irregularidades na manutenção de aeronaves em Joinville. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão na cidade.

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Segundo a PF, a apuração apontou que a companhia comprava equipamentos danificados e realizava reparos além dos limites permitidos pelo fabricante.

A operação aconteceu em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Cerca de 50 policiais federais e 20 fiscais da ANAC deram cumprimento a 10 mandados de busca e apreensão, sendo 3 em Joinville, 1 em Rio do Sul, 2 em Curitiba, 3 em Sorocaba e 1 em Birigui. A Polícia Federal (PF) apreendeu 13 aeronaves sem condições de aeronavegabilidade por irregularidades documentais e estruturais, colocando em risco a aviação civil.

“Tínhamos uma série de documentos, peças, cinco aeronaves em Joinville, e todo o material que já foi periciado em fase anterior e parte agora vai ser analisado para a continuidade desses trabalhos”, disse Oscar Biffi, delegado da Polícia Federal.

Participaram dos trabalhos 50 Policiais Federais e 20 Fiscais da Anac. Os investigados poderão responder pelos crimes de perigo à aviação, falsificação de documentos, falsidade ideológica e sonegação fiscal, cujas penas isoladas variam de um a seis anos de prisão.

ENVOLVIMENTO INTERNACIONAL

A investigação apontou também a possibilidade de que exista envolvimento internacional na importação ilegal das peças. Segundo a Polícia Federal, a empresa Horus Aero Peças de Joinville importava as aeronaves acidentadas dos Estados Unidos e repassava as peças sucateadas para a manutenções das aeronaves.
A empresa de Joinville não podia trabalhar com táxi-aéreo desde 2017 e estava com suspensão também na oficina de manutenção, mas tinha autorização para comercializar peças.

AS INVESTIGAÇÕES

As investigações começaram em 2016, após denúncia de irregularidades na manutenção de aeronaves e reportagens jornalísticas vinculando as irregularidades a quedas de helicópteros. Um inquérito policial foi aberto e a PF, em conjunto com a Anac, fez a inspeção na empresa investigada, apreendendo documentos, peças e aeronaves.

Segundo a PF, a perícia dos documentos e contatos com fabricantes e autoridades estrangeiras dos Estados Unidos, comprovaram indícios de compra de aeronaves sinistradas, reparo além dos limites permitidos pelo fabricante, com uso de registros supostamente fraudulentos ou com o aproveitamento de plaquetas e documentação para emprego em outras aeronaves, além de falhas nos controles, colocando em risco a aviação civil.

Ainda de acordo com a polícia, foram apontados indícios de falsificação de documentos, e a não prestação ou prestação parcial ou dissimulada de informações à Anac para dificultar ou iludir a fiscalização do órgão, além de fraudes fiscais nos processos de importação de aeronaves.

O NOME DA OPERAÇÃO

Na mitologia grega, Dédalo era um homem muito sábio e criativo, pai de Ícaro, que fabricou asas de penas ligadas com cera para que ele e Ícaro pudessem voar e fugir do labirinto onde estavam presos.

Na fuga, Ícaro se aproximou muito do sol, a cera derreteu e ele caiu no mar. Da mesma forma, o uso de peças não adequadas em aeronaves pode provocar acidentes aéreos.

JACKSON MAIER

 

 

Fonte:G1SC,Portal Agora Joinville

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