Saúde analisa formas de combate à dengue em 2020 e recursos para hospitais

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Formas de prevenção e medidas de combate à dengue foram tema de reunião da Comissão de Saúde na tarde desta quarta-feira (15). O encontro recebeu autoridades no tema para discutir as formas que o poder público pode atuar para impedir a proliferação de vírus por meio do mosquito Aedes aegypt.

Participaram do encontro, que foi realizado por videoconferência, o gerente da Gerência de Vigilância e Zoonoses e Entomologia (Gezoo), João Augusto Brancher Fuck, e o diretor da empresa Agro Líder, o biólogo Daniel Albeny Simões, que apresentou alternativas no combate às larvas como o uso de bactérias no controle de mosquitos vetores.

O presidente da Comissão, deputado Neodi Saretta (PT), e o vice-presidente, deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), mediadores do debate, demonstraram preocupação com os números apresentados de casos de dengue no estado e que haverá debates internos sobre medidas que devem ser realizadas no combate ao mosquito transmissor da dengue.

Pelos números apresentados, Santa Catarina tem 10.609 casos de dengue confirmados somente neste ano. Para João Fuck, o cenário é preocupante. “As equipes da Secretaria de Estado da Saúde monitoram diariamente a situação da doença no estado, acompanhando e auxiliando tecnicamente os municípios nas ações a serem realizadas. Mas, mais uma vez, é importante reforçar que todos precisam fazer a sua parte para controlar a proliferação do mosquito. É preciso eliminar locais que possam acumular água e que sirvam de criadouro para o Aedes aegypti.”

Ele informou que a maioria dos casos confirmados até agora é autóctone e que o município de Joinville concentra 80,1% do total desses casos do estado. “Ao todo, são 10 municípios em situação de epidemia, dos quais sete estão no Oeste catarinense. Outro problema deste ano é a circulação simultânea de três sorotipos da doença: DENV1, DENV2 e DENV4, o que significa que quem já pegou dengue uma vez, pode pegar de novo, por outro sorotipo.” No total, há focos de dengue em 103 municípios catarinenses.

Produto biológico
O diretor da empresa Agro Líder e biólogo, Daniel Albeny Simões, apresentou metodologias alternativas bem como o uso de bactérias no controle de mosquitos vetores, como o uso de VectoBac® WG, que é um inseticida biológico extraído da fermentação da bactéria Bacillus turigiensis israelensis, não tóxico, seletivo para larvas de mosquitos, com ação rápida e de fácil aplicação.

Ele falou que o produto está sendo testado em vários municípios do Oeste do estado e também em municípios dos Estados Unidos, com porcentagens de mais de 90% das larvas do mosquito. Para o biólogo, a redução da população de vetores é o único caminho possível, por isso ele defendeu a utilização do controle biológico no combate ao mosquito.

Bengala verde
A Comissão de Saúde aprovou por unanimidade o parecer favorável do relator Neodi Saretta ao Projeto de Lei (PL) 382/2019, de autoria do deputado Sergio Motta (Republicanos), que institui o uso da bengala verde como meio mais adequado para identificar pessoas com baixa visão no estado. Conforme o relator, há uma ideia errada de que todos os usuários de bengala são cegos. A grande maioria das pessoas com baixa visão também precisa desse instrumento para a orientação.

“Nosso projeto pretende incentivar a busca por autonomia, independência e reconhecimento na sociedade. A proposta é conscientizar todos sobre as inúmeras dificuldades que uma pessoa com baixa visão possui, desde a prática de coisas simples, como reconhecer rostos, ler placas de sinalização e letreiros de ônibus, até atravessar ruas, praticar esportes, cozinhar, dirigir e assistir à televisão”, explicou o autor do PL, deputado Sergio Motta.

A bengala verde foi criada em 1996 pela professora de educação especial Perla Mayo. A cor escolhida é em alusão à esperança. A bengala verde terá as mesmas características que a bengala branca, em peso, comprimento e empunhadura. Ela também pode ter uma luz de LED para facilitar a visão noturna. O PL já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e segue agora para Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Recursos para hospitais
Os deputados voltaram a cobrar mais agilidade por parte do governo do Estado na distribuição de recursos federais aos hospitais filantrópicos. Em tema extra pauta, os deputados discutiram ofício encaminhado pela Federação das Santas Casas Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado (Fehosc), que comunicou que os recursos repassados pelo Ministério da Saúde ainda não foram entregues aos hospitais.

O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Catarinense, José Milton Schaefer (PP), que participava da reunião da comissão, lamentou o atraso no pagamento dos recursos e alertou para a crise econômica dos hospitais. Ele relatou que o governo federal já fez dois pagamentos ao governo estadual que até agora, passados mais de 50 dias, não foram repassados aos hospitais filantrópicos.

Foi decidido que a Comissão de Saúde encaminhará ainda nesta quarta-feira um ofício comunicando o governador Carlos Moisés (PSL) sobre essa situação. O deputado Dr. Vicente Caropreso lamentou os entraves burocráticos que dificultam os repasses aos hospitais, mas ponderou o papel dos hospitais para agilizar o processo.

O deputado Coronel Mocellin (PSL) informou que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) montou uma frente de trabalho para agilizar os repasses, mas cobrou maior agilidade na avaliação dos documentos para que os recursos sejam repassados aos hospitais. A deputada Ada de Luca (MDB) afirmou que todos os deputados estão “cansados de enxugar o gelo” em relação a esse assunto. “Isso está dando uma tristeza. A base nos liga, os hospitais nos ligam e o que podemos fazer? Não temos caneta na mão, não somos secretário. Ainda bem que o povo entende a nossa luta.”

Também participaram da reunião virtual os deputados Valdir Cobalchini (MDB) e Ismael dos Santos (PSD).

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