Setembro Amarelo busca desmistificar o tema suicídio e valorizar a vida

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Nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. O dado, da Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que a prevenção é fundamental para reverter essa situação, garantindo ajuda e atenção adequadas. Segundo os dados do Ministério da Saúde, 32 brasileiros se suicidam diariamente. No mundo, ocorre uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente 1 milhão de pessoas se matam a cada ano, segundo a OMS. Pensando nisso surgiu em 2015 a campanha “Setembro Amarelo”.

“A primeira medida preventiva é a educação. É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto. O caminho é quebrar tabus e compartilhar informações. Esclarecer, conscientizar, estimular o diálogo e abrir espaço para campanhas contribuem para tirar o assunto da invisibilidade e, assim, mudar essa realidade”, comenta a psicóloga Cassiana Pirath, coordenadora da Atenção Básica de Tijucas.

Na capital do Vale do Rio Tijucas as ações de conscientização e prevenção iniciaram no dia 03 de setembro e acontecerão até o dia 27 nas Unidades Básicas de Saúde, Escolas Municipais e Estaduais. O ponto alto da campanha em Tijucas acontecerá no dia 19 de setembro, próxima quinta-feira, com a Caminhada pela Vida. Os participantes da caminhada, organizada pela Secretaria Municipal de Saúde, com apoio da Secretaria de Ação Social e Direitos Humanos, devem se encontrar na Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, no bairro Praça, às 8h.

“A gente sabe que os números são muito maiores, pois os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes. É um fato que o suicídio é um fenômeno complexo, de múltiplas determinações, mas saber reconhecer os sinais de alerta pode ser o primeiro e mais importante passo”, orienta a psicóloga Janise Freez, organizadora da campanha na cidade.

Como buscar ajuda?

Mas como buscar ajuda se muitas vezes a pessoa sequer sabe que pode receber apoio e que o que ela sente naquele momento é mais comum do que se divulga? Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou familiar se também não sabemos identificar os sinais e muito menos temos familiaridade com a abordagem mais adequada?

O suicídio é um ato de comunicação. Quem se mata, na realidade tenta se livrar da dor, do sofrimento, que de tão imenso, parece insuportável. Por isso sinais como isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer” podem indicar necessidade de ajuda.

Os transtornos de humor, que incluem depressão ou bipolaridade, o abuso de álcool e drogas, e quadros de esquizofrenia requerem atenção especial, porque são considerados os maiores desencadeadores de tentativas e suicídios – são mais de 800 mil casos por ano no mundo. Por isso, olhar para o próximo e perceber nele características que, em conjunto, podem dar sinais de que esta pessoa precisa de ajuda pode ser o primeiro passo para um suporte a quem necessita. Estar aberto a dialogar e a oferecer apoio também faz toda a diferença.

“A gente sabe que os problemas em saúde mental estão aumentando cada vez mais, a sociedade está mais exigente, então isso gera estresse, depressões, ansiedades, e todos esses distúrbios contribuem para que esse paciente fique desestabilizado. Em Tijucas temos profissionais excelentes para tratar quem necessitar. São quatro psicólogos e um psiquiatra à disposição da população. Valorizamos também os Grupos de Apoio de Saúde Mental, realizado nas UBS. A partir do momento que um paciente inicia o atendimento, seja individual ou em grupo, ele vai se estabilizando emocionalmente”, explica o secretário de Saúde, Vilson José Porcíncula.

De olho nos sinais

Como identificar sintomas que, combinados, podem ser indícios de depressão e de comportamentos suicidas

Crianças

•Choro fácil
•Pensamento negativo preponderante
•Lapsos de memória
•Pensamentos catastróficos
•Baixa autoestima
•Disfunção alimentar
•Desregulação do sono
•Dificuldades de interação

Adolescentes

•Mentiras e infrações compensatórias
•Ausência nas aulas
•Provocação aos professores e outras figuras de autoridades
•Baixo limiar a frustração
•Dificuldades para ouvir não
•Automutilação
•Colocar-se em situações de risco constantemente
•Isolamento
•Mudança abrupta de comportamento

Adultos

•Sentir-se triste, durante a maior parte do dia, quase todos os dias
•Perder o prazer ou o interesse em atividades rotineiras
•Irritabilidade
•Desesperança
•Queda da libido
•Disfunção alimentar e do sono (perda ou aumento de peso)
•Sensação de cansaço e fraqueza o tempo todo
•Baixa autoestima
•Ansiedade excessiva
•Dificuldade de concentração, de tomar decisões e de memória
•Pensamentos frequentes de morte e suicídio

Fatores de risco

•Transtornos de humor (depressão; bipolaridade)
•Abuso de álcool e drogas
•Esquizofrenia
•Traumas emocionais

Atitudes protetoras

•Limitar o uso da tecnologia
•Praticar atividade física
•Promover adequação de rotinas
•Estimular a interação social

Saiba o que fazer para ajudar

•Ouça o pedido de ajuda com atenção e respeito
•Tenha empatia em entender os sentimentos da pessoa
•Demonstre preocupação e dê suporte emocional
•Evite perguntas indiscretas
•Converse com familiares e amigos
•Dê abertura para que a pessoa se sinta confortável em desabafar
•Ajude a pessoa a procurar atendimento especializado

Texto: Patrícia Ferreira | Arte: Saúde

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