Temer recebeu R$ 1,8 bilhão, diz Lava Jato.

VISITE O SITE DA OPERAÇÃO LAVA-JATO

0 137



Brasília- DF 29-06-2016 –
Foto Lula Marques
O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro afirma que o ex-presidente Michel Temer (MDB), preso no final da manhã desta quinta-feira (21), lidera uma organização criminosa que se beneficiou de propinas, seja em pagamentos realizados ou promessa de repasses pelos próximos 30 anos, de R$ 1,81 bilhão.

O valor é a somatória do que se apurou, segundo o MPF, em 16 esquemas de corrupção ligados ao grupo de Temer, que inclui o ex-ministro Moreira Franco.

Segundo o MPF, a investigação aponta que pessoas e empresas usados como laranjas  “na rede de lavagem de ativos de Michel Temer” ainda recebem e movimentam valores ilícitos e escondem dinheiro, inclusive no exterior.

“As apurações também indicaram uma espécie de braço da organização, especializado em atos de contrainteligência, a fim de dificultar as investigações, tais como o monitoramento das investigações e dos investigadores, a combinação de versões entre os investigados e, inclusive, seus subordinados, e a produção de documentos forjados para despistar o estado atual das investigações”, diz o MPF em nota.

As prisões:  Temer e o Coronel Lima são alvos de mandados de prisão preventiva, sem prazo para soltura, assim como o ex-ministro Moreira Franco. Além deles, Maria Rita Fratezi, Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo também são alvos de preventiva. Também foi autorizada a prisão temporária, com prazo de cinco dias, de Rodrigo Castro Alves Neves e Carlos Jorge Zimmermann. O centro das investigações que levaram à prisão de Temer foi a operação Radioatividade, a 16 a fase da Lava Jato, em julho de 2015. Desde então, a Polícia Federal (PF) deflagrou outras duas operações voltadas à Eletronuclear.

Na sentença, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, diz que as prisões preventivas são necessárias para garantir a ordem pública. Segundo ele, “uma simples ligação telefônica ou uma mensagem instantânea pela internet são suficientes para permitir a ocultação de grandes somas de dinheiro, como parece ter sido o caso”.

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) justificou, em nota, os pedidos de prisão preventiva citando “a existência de uma organização criminosa em plena operação, envolvida em atos concretos de clara gravidade”. A PF cumpre, ao todo, dez mandados de prisão, determinados por Bretas. Oito pessoas já estão presas, e duas são procuradas.

Quem são os alvos dos mandados de prisão

Oito dos pedidos, inclusive o de Temer, são de prisão preventiva – ou seja, sem data para a liberação. Os outros dois são de prisão temporária – com prazo de cinco dias.

Michel Miguel Elias Temer Lulia, ex-presidente – prisão preventiva
João Batista Lima Filho (coronel Lima), amigo de Temer e dono da Argeplan – prisão preventiva
Wellington Moreira Franco, ex-ministro do governo Temer – prisão preventiva
Maria Rita Fratezi, arquiteta e mulher do coronel Lima – prisão preventiva
Carlos Alberto Costa, sócio do coronel Lima na Argeplan – prisão preventiva
Carlos Alberto Costa Filho, diretor da Argeplan e filho de Carlos Alberto Costa – prisão preventiva
Vanderlei de Natale, sócio da Construbase – prisão preventiva
Carlos Alberto Montenegro Gallo, administrador da empresa CG IMPEX – prisão preventiva
Rodrigo Castro Alves Neves, responsável pela Alumi Publicidades – prisão temporária
Carlos Jorge Zimmermann, representante da empresa finlandesa-sueca AF Consult – prisão temporária

Lava Jato: A operação Lava Jato é a maior iniciativa de combate a corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil. Iniciada em março de 2014, com a investigação perante a Justiça Federal em Curitiba de quatro organizações criminosas lideradas por doleiros, a Lava Jato já apontou irregularidades na Petrobras, maior estatal do país, bem como em contratos vultosos, como o da construção da usina nuclear Angra 3. Possui hoje desdobramentos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, além de inquéritos criminais junto ao Supremo Tribunal Federal para apurar fatos atribuídos a pessoas com prerrogativa de função. Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres públicos esteja na casa de bilhões de reais. Soma-se a isso a expressão econômica e política dos suspeitos de participar dos esquemas de corrupção investigados.

http://www.lavajato.mpf.mp.br/

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.