Uma história para emocionar

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A pequena Luíza Pedrosini Gonçalves, de apenas, 8 anos, é uma apaixonada por livros. Trocou o presente de Natal, a míni boneca que é a nova febre entre as meninas, pela recém-lançada obra de Amir El Haje, Decifrando o passado – O Egito antes dos Faraós. “Eu quero aprender mais”, justificou

Era uma noite de terça-feira, quando a pequena Luíza, em companhia da mãe, Maristela Pedrosini, foi até o Balneário Shopping, em Balneário Camboriú, “encomendar” o seu presente de Natal para o Papai Noel. Estava bem decidida. Queria entrar na onda de todas as meninas do mundo, com idade entre quatro e dez anos, que fazem de tudo para ter uma míni boneca colecionável, que é a nova febre entre as pequenas. O brinquedo é apresentado numa embalagem em forma de bola tipo bolsinha, com camadas de surpresa que vão sendo transpassadas até chegar ao objeto de desejo.

Na procura incansável pelo produto, esgotado na maioria das lojas, mãe e filha resolveram ir até a livraria Catarinense. Na vitrine, os olhos da garotinha brilharam. Ela não tinha encontrado o que buscava, mas imediatamente resolveu trocar o pedido que faria para o bom velhinho. “Luíza ficou encantada com a pilha dos livros Decifrando o passado – O Egito antes dos Faraós. Eu expliquei que não tinha como pedir os dois. Era preciso escolher entre um e outro”, conta a mãe impressionada, ainda, com a atitude da menina, que não titubeou. Conversando com o vendedor, as duas souberam que o autor, Amir El Haje, estaria dois dias depois ali, para uma sessão de autógrafos. “A Luíza desistiu de ir à aula de patinação, que adora, e nem quis mais ver o desfile do caminhão do Papai Noel na Avenida Atlântica. Até dava tempo de fazer tudo, mas ela ficou muito ansiosa, queria conhecer o escritor e fotografar com ele” relata Maristela Pedrosini, que trabalha com banho e tosa de cachorros em casa mesmo.

Por coincidência, na mesma noite o pai, Rodrigo Gonçalves, estava de folga. Ele é caminhoneiro e viaja diariamente entre Tijucas e Florianópolis – transportando material para as obras do novo aeroporto, no Sul da Ilha de Santa Catarina. “Parece que já estava tudo combinado. Deu tudo certo, eu pude vir com elas aqui”, falava empolgado o pai, feliz com a decisão da filha. “A gente não teve essa oportunidade, mas ela gosta e a gente incentiva”, disse Rodrigo, entusiasmado com a decisão da filha de “querer aprender mais”.

Luíza chegou com os pais bem antes do horário marcado para o início do evento. Esperou pacientemente num dos pufes convidativos, sempre abraçada ao livro que realça belos efeitos dourados na capa – sinalizando o conteúdo instigante que se descortina página por página. “Eu percebi aquela família, mas não imaginei que tinham vindo por iniciativa da criança. Estou emocionado com essa história”, comentou Amir El Haje, que só soube de tudo depois de atender quase uma centena de amigos e curiosos que, assim como Luíza, se impressionaram com o título e se interessaram pela obra.

Luíza Pedresini Gonçalves, estudante do segundo ano primário em uma escola estadual, foi para casa feliz, abraçada ao livro do mesmo jeito que fez enquanto aguardava para realizar o seu sonho. Recebeu o autógrafo, salientou o “Luíza com Z” na hora da dedicatória, posou imponente com Amir El Haje, o cumprimentou e recebeu o igual carinho. Deixou claro que um dia ainda volta para comprar o livro anterior do autor, Jerusalém Cidade da Paz. Mas talvez não precise. Papai Noel deve ter ouvido isso e, quem sabe, fará a surpresa de levar esta outra obra junto com a bonequinha que, como criança que é, certamente vai vibrar também com o brinquedo.